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Bancos Baixam Spreads No Crédito à Habitação

Bancos baixam spreads no crédito à habitação

No último ano, sete dos maiores bancos a atuar no mercado português reviram em baixa a taxa que representa a sua margem de lucro no empréstimo da casa. Atualmente, a média do spread mínimo praticado pelas instituições financeiras está nos 1,63%.

Os bancos estão a apostar novamente no crédito à habitação. A prova disso são as descidas das taxas e as várias campanhas que têm vindo a verificar-se no último ano. As instituições financeiras reviram em baixa os spreads – a taxa  que se adiciona ao juro de mercado Euribor e que, na prática, acaba por representar a margem de lucro dos bancos – e estão a tentar captar clientes neste segmento que é um dos mais apetecíveis.

De acordo com os dados recolhidos pelo Jornal Económico, num ano, sete dos nove maiores bancos a atuar no mercado português baixaram os seus spreads.
Em janeiro de 2016, a média dos spreads mínimos cobrados pela banca já estava abaixo de 2%, situando-se nos 1,90%. Depois de terem descido as taxas ao longo de um ano a média cobrada pelos nove dos maiores bancos no crédito à habitação passou para 1,63%.

Esta diferença de 0,27% no spread embora não pareça significativa na verdade representa uma poupança na prestação da casa de 21,75 euros por mês, segundo os cálculos do Jornal económico. Isto tendo por base um empréstimo de 100 mil euros a 30 anos. Feitas as contas e, ao final de um ano, trata-se de uma poupança de 261 euros, e que supera os 7.800 euros na totalidade do empréstimo (caso se mantenham os mesmo pressupostos).

Quem conseguir um spread menor, pagará ainda menos. É que já há bancos a apresentarem spreads mínimos no crédito à habitação muito próximos de 1%.
Embora ainda haja alguma margem para descidas, os especialistas acreditam que essas reduções podem vir a ser compensadas por outras comissões.

“Penso que haverá pouco espaço para descidas nos spreads ‘reais’, tendo em conta as necessidades de receitas dos bancos e o facto de os spreads atualmente já se encontrarem relativamente baixos. Claro que poderá haver campanhas com spreads mais baixos, mas com certeza que haverá outros custos ou comissões que colocarão a TAEG [Taxa Anual Efetiva Global] a um nível equivalente aos atuais”, explicou Filipe Garcia, economista da consultora Informação de Mercados Financeiro (IMF). “Tenho dificuldade em compreender spreads muito abaixo de 1% no contexto atual”, rematou o economista.

Quem pode ter spread mínimo?

Para se ter acesso à margem mínima no crédito à habitação os bancos exigem algumas condições. Além da domiciliação de ordenado, débito direto de contas, contratação de seguros e cartão de crédito, há também a questão do rácio financiamento/garantia. Do levantamento que o Jornal Económico fez a maioria das instituições financeiras só dá acesso ao spread mínimo a quem tenha um rácio financiamento/garantia inferior a 80% do valor da avaliação. Isto significa que numa casa avaliada em 100 mil euros o banco só empresta 80 mil euros com condições mais vantajosas. Mas podem ainda existir outras exigências como um património ou a média do saldo da conta à ordem acima de um determinado valor. Depende muito de banco para banco.

Spreads acima de 2,5%

Apesar de nem todas as pessoas reunirem as condições para acederem ao spread mínimo,  para os especialistas um spread acima de 2,5% é alto e, tendo em consideração as recentes descidas das taxas, até mesmo um spread de 2% é possível de conseguir ser renegociado para valores mais baixos. Assim, pode começar por tentar renegociar com o seu banco e também verificar propostas de outras instituições financeiras. Para comparar propostas deve utilizar a Taxa Anual Efetiva (TAE) como referência. No entanto, se as propostas contemplarem a venda cruzada de produtos deverá utilizar a Taxa Anual Efetiva Revista (TAER) para a comparação.

A Euribor vai continuar a cair?

Além do spread outra das componentes relevantes na taxa que é utilizada para o cálculo da prestação do crédito à habitação é a Euribor. Apesar de as taxas Euribor a três e a seis meses serem as mais utilizadas em Portugal, atualmente os bancos só estão a dar crédito indexado à taxa Euribor a 12 meses. De qualquer forma, ainda que com valores um pouco diferentes, todas elas estão em terreno negativo. A questão que se tem colocado no mercado é se as Euribor vão continuar a cair ou se vão subir.
“As quedas que se têm verificado são marginais, mas mostram que não se deve esperar a normalização das Euribor nos próximos meses. Os contratos de futuros (relativos à Euribor a três meses) descontam uma subida lenta e gradual das Euribor, mas só chegando aos 0% em dezembro de 2019”, adiantou Filipe Garcia.

Perante este cenário a taxa fixa no crédito à habitação está a ganhar terreno, com bancos a oferecerem a possibilidade de optar por taxa fixa por longos períodos. Atualmente a taxa fixa já representa 40% nos novos créditos à habitação, segundo os dados do Banco de Portugal.

Fonte: Jornal Económico

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